É sabido que o som pode viajar até cinco vezes mais rápido e muito mais longe na água do que no ar. Isso torna o ambiente aquático altamente sensível a perturbações acústicas.
Em 1953, Jacques Cousteau lança O Mundo Silencioso. É um livro clássico que Cousteau escreveu em parceria com Frédéric Dumas.
Logo depois, em 1956, o explorador marítimo lança o documentário francês em parceria com Louis Malle.
O documentário narra as aventuras subaquáticas de Cousteau e que inspirou gerações de cientistas a estudar os oceanos do planeta.
Contudo, hoje, sabemos que o mundo subaquático não é assim tão silencioso. Pesquisadores mostram e ficam preocupados com o fato de que o ruído subaquático produzido por seres humanos distrai, confunde e até mata animais aquáticos.
Na verdade, o mundo subaquático é repleto de sons naturais que compõem uma rica paisagem sonora, composta por estrondos, bolhas, grunhidos e estalidos.

(Magnific)
Tais sons são produzidos pelo movimento da atmosfera, da água e do leito marinho, por animais e, agora com o acréscimo de ruídos e fortes barulhos gerados por máquinas criadas pelos seres humanos.
Hoje, não é mais como no documentário de Cousteau. A paisagem sonora subaquática também inclui o ruído de motores, os sinais acústicos de sonares militares e os estrondos e explosões decorrentes de atividades de desenvolvimento em alto-mar.
O resultado é que os estudos científicos mostram como o impacto do ruído na pesca depende inteiramente da fonte sonora e da anatomia auditiva específica da espécie de peixe.
O que realmente assusta os peixes?
Passos na margem e objetos caídos. Isso gera um alto impacto.
De acordo com a Ciência, no momento em que uma pessoa pisa forte em um barranco ou deixa cair um objeto pesado no convés de um barco, ela não está apenas produzindo som, está criando vibrações físicas, que são movimento de partículas, que se transferem diretamente para a água.
O efeito disso é o ativamento do sistema da linha lateral do peixe.
Em outras palavras, é um órgão especializado que percorre os flancos do animal e detecta ondas de pressão.
Para um peixe, um passo pesado de qualquer pessoa é interpretado como a aproximação de um predador, fazendo com que ele fuja imediatamente da área.
Motores de barco
Além do impacto pelo barulho, os motores de barco causam estresse fisiológico.
De acordo compesquisas científicas, os motores de combustão geram altos níveis de pressão sonora e aceleração de partículas subaquáticas.
Naturalmente, o efeito disso já foi comprovado e, por conseguinte, publicado no ResearchGate.
Certo é que o ruído de barcos reduz drasticamente a presença de peixes e interrompe seu comportamento de busca por alimento.
Ademais, motores de dois tempos mais antigos têm o dobro do impacto negativo na frequência cardíaca dos peixes em comparação com motores de quatro tempos mais silenciosos, e a exposição prolongada prejudica o crescimento e a capacidade do peixe, inibindo-o de escapar de predadores.

(Vecteezy)
Conversas em voz alta e música no ar
Já as conversas em voz alta e música no ar não possuem tanto impacto.
Esses tipos de ruídos podem gerar impacto baixo ou até mesmo nulo.
Na verdade, a fronteira entre o ar e a água atua como uma barreira acústica.
Por isso que as ondas sonoras que se propagam pelo ar são, em sua maioria, refletidas pela superfície da água, em vez de penetrá-la.
Pesquisadores confirmam que os peixes não conseguem ouvir vozes humanas normais ou música reproduzida em um telefone ou rádio.
Se por outro lado, o volume dos graves estiver muito alto a ponto de vibrar o casco do barco, provavelmente os peixes irão sentir.
Pescadores podem conversar livremente na margem ou em um barco sem espantar os peixes.

(Pixabay)
Orientações práticas aos pescadores
A fim de não prejudicar nem causar estresses nos peixes, amorteça as vibrações do casco. Para tanto, evite bater as escotilhas, deixar cair alicates ou pisar forte no convés. Considere instalar tapetes de espuma ou borracha no piso do barco para absorver o impacto.
Outra dica é controlar o motor. Ou seja, no momento em que um pescador se aproxima de um local de pesca, é bom desligar o motor a gasolina com antecedência e deixar o barco derivar. É possível também usar um motor elétrico de pesca silencioso.
Outro ponto imortante a ser observado é sempre caminhar com cuidado, suavemente, na margem, especialmente se estiver pescando com mosca ou na margem, caminhe suavemente.
Passos pesados em uma margem lamacenta ou pedregosa transmitem ondas de choque diretamente para as margens rasas onde os peixes se alimentam.
É preciso ressaltar que os seres humanos são muito dependentes do oceano, bem como pela sua biodiversidade e seus recursos naturais.
É o ser humano que irá desempenhar um papel fundamental na regulação das temperaturas e dos gases atmosféricos.
Para o oceanógrafo, Cousteau dizia que dedicava-se profundamente à conservação dos oceanos e preocupava-se seriamente com a poluição marinha e a exploração excessiva da vida marinha já preocupava com esse cuidado.
Sabe-se que os oceanos de hoje enfrentam ameaças, além da destruição de habitats, do aquecimento e da acidificação das águas.
Tais ameaças aos oceanos são, também, ameaças aos seres humanos.

(Gettyimages)
Como disse Cousteau:
“Durante a maior parte da história, o homem teve de lutar contra a natureza para sobreviver; neste século, ele começa a perceber que, para sobreviver, precisa protegê-la”.
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